domingo, 24 de janeiro de 2010

JORBI: A nova marca portuguesa de bicicletas

Com esta reportagem iniciamos um ciclo de reportagens, que esperamos, de periodicidade mensal, onde abordaremos temas diversos relativos ao mundo do btt... e para começarmos bem, nada melhor que dar a conhecer uma nova marca de bicicletas de fabrico português, cuja maternidade é na cidade de Abrantes, bem próximo da cidade que viu nascer a Zona 55 Bike Team (Torres Novas):
ENTREVISTADO: Jorge Baeta; Profissão: Director Comercial Vieira Graça & C.ª, Ld.ª
LOCAL: Instalações Vieira Graça & C.ª, Ld.ª, Via Industrial II, Lote 7, Zona Industrial de Alferrarede, Abrantes
DATA DA ENTREVISTA: 20JANEIRO2010
REPORTAGEM: João Valério (textos e fotos), Filipe Rodrigues (ajuda à produção)

Conforme já havíamos combinado, pelas 10H20, eu (João Valério) e o Filipe Rodrigues, depois de nos ter-mos encontrado no AquaVital para beber-mos um cafézinho e dar-mos uma última vista de olhos pelas questões que se haviam decidido fazer ao nosso entrevistado, lá chegámos às instalações da Vieira Graça e C.ª.
Logo à entrada, deparámos-nos com a exposição de alguns dos modelos JORBI, principalmente da gama de estrada. Apesar de andar muito atarefado, o Jorge Baeta lá nos havia reservado um par de horas para matar a nossa curiosidade... só nos fica a faltar a cedência de uma destas "bichinhas" para um test-drive à nossa maneira.

Visto do exterior, as médias dimensões do pavilhão da "Vieira Graça" não nos alertam para a obra que é criada no seu interior. Pintura, montagem, acabamentos e embalagem da JORBI, além da respectiva armazenagem desta marca de bicicletas e outras de diversas marcas já sobejamente conhecidas, bem como também variados acessórios e componentes que são da responsabilidade deste importador distribuir por todo o nosso país.

Ainda um bocado verde nestas reportagens de cariz mais sério, foi à boa maneira antiga que me socorri de caneta e bloco de notas, começando com afinco a debitar perguntas, com a atrapalhação inerente a um rookie.

Da esquerda para a direita: João Valério, Jorbi Carbon SL ISP e Jorge Baeta.

O Filipe Rodrigues atestava o peso-pluma deste modelo de estrada com quadro em carbono.

Mas deixemos-nos de conversa e vamos lá então transcrever a entrevista...

"João Valério (JV): Quando e como surgiu o seu interesse pelo mundo das bicicletas como seu meio de subsistência?Jorge Baeta (JB): Surgiu em meados dos anos 90, época em que me encontrava ligado ao “mundo” das motos e em paralelo já desenvolvia algum trabalho na área das bicicletas. Nessa altura, o mercado das 2 rodas motorizadas havia começado a entrar em crise e surgiu-me a oportunidade de entrar no ramo da comercialização das bicicletas, tendo-me então dedicado só a este mercado. JV: Que interesses financeiros possui no mercado das bicicletas?
JB: A distribuição nacional de diversas marcas nacionais/internacionais de bicicletas e seus acessórios.
JV: Quais as marcas e produtos que comercializa com mais “peso” no seu negócio?JB: Bianchi, Colnago, Moser e Campagnolo (bicicletas), Fulcrum (rodas), FSA (acessórios/componentes), Giordana (vestuário), DMT (sapatos), SH+ (capacetes), entre outros. JV: Qual a gama de bicicletas mais influente no seu negócio?
JB: Média e alta gama nas vertentes montanha e estrada, esta última principalmente.
JV: Quem foi o impulsionador da ideia de criar uma nova marca de bicicletas e quando ocorreu?JB: Partiu de mim e já há alguns anos a esta parte, no entanto, só agora foi possível devido ao elevado investimento financeiro exigido para colocar em marcha um projecto deste género, bem como as infra-estruturas necessárias para o efeito. JV: Por quantos colaboradores é constituída a equipa de produção da JORBI, desde a sua concepção em desenho até ao produto final?JB: A JORBI, cuja produção é maioritariamente artesanal, é composta por 4 pessoas. Eu faço o desenho dos quadros, projecto a ideia das suas linhas e defino as gamas; o Pedro Ruivo tem a seu cargo a estética geral, ou seja, a parte decorativa dos quadros; o Artur Vieira encarrega-se da pintura; o Sérgio Campos partilha comigo a linha de montagem de componentes nas JORBI (completas) e embalagem. JV: Quais os materiais utilizados na construção dos quadros?JB: O alumínio tubagem 7005 de tripla espessura e hidroforming e o carbono UD finish (unidireccional). JV: Qual o período de tempo necessário para produzir 1 JORBI completa, a partir do quadro?JB: A JORBI apresenta-se no mercado nas gamas média e alta nas vertentes estrada e montanha. Em ambas as vertentes demoram cerca de 3 dias para a gama alta e sensivelmente 2 dias para a gama média.JV: Quantas JORBI se propõem produzirem neste primeiro ano do projecto?JB: No que diz respeito a bicicletas completas é relativo. Já no que se refere a quadros, contamos produzir (produto final) entre 1.300 a 1.500 unidades. JV: Quantos modelos JORBI já se encontram criados e de que forma se encontram distribuídos pelas diversas gamas?
JB: Para a estrada dispomos de 28 modelos divididos por 6 categorias, onde destaco a existência de um modelo exclusivo para as pistas, há muito não fabricado em Portugal. Nas bicicletas de montanha temos 12 modelos distribuídos por 3 categorias: 6 rígidas (entrada de gama) e 2 de suspensão total no que se refere a quadros em alumínio, assim como, 4 modelos de alta gama com montagem em quadro de carbono.
JV: Quais os mercados-alvos onde pretende implementar a JORBI?
JB: Por agora o objectivo é a conquista do mercado nacional, após isso, pensar-se-á noutros mercados além fronteiras.
JV: Quais as marcas de componentes adoptadas para equipar as diversas gamas da JORBI na vertente montanha?JB: Suspensões “Rock Shox”, as rodas de produção portuguesa “Rodi” para os modelos de entrada de gama e para as gamas média e alta “Fulcrum”, grupos “Shimano” e “Sram”, componentes “FSA” (avanços, espigões, guiadores, pedaleiros, …), selins “Prologue” e pneus “Geax”. JV: Quais os P.V.P. (preço venda ao público) em que oscila a JORBI?JB: Na montanha, entre os €429 e os € 4.600. Na estrada, entre os €699 e os €5.500. JV: De que forma pretende promover a marca JORBI?
JB: No que respeita à gama de estrada, principalmente estar ligado a equipas profissionais de estrada, equipando-as com as nossas bicicletas, como já nos encontramos a fazer com 4 equipas nacionais: Tavira (Profissionais e Sub23), Cartaxo (Sub23) e Casa Activa (Valongo (Sub23)).
JV: E no todo-o-terreno, como o pretende fazer?
JB: A JORBI terá uma equipa oficial, a JORBI TEST TEAM, que competirá principalmente em Cross Country e Maratonas da Taça de Portugal e Campeonatos Nacionais, assim como, também em algumas provas do Campeonato de Espanha e algumas Taças do Mundo realizadas na Europa."

E assim concluímos a entrevista. Obrigado pela disponibilidade!

As fotos, desta vez, foram captadas com uma pequena Benq DC C1030Eco.
O lema adoptado pela Jorbi foi o: Designed To Race (D2R)
Esperamos que tenham gostado desta reportagem. A título de curiosidade, a caixa de comentários desta mensagem irá ter dupla função, onde poderão, com a colaboração de todos vós, opinar sobre a presente reportagem mas também, os que já puderam testar ou são possuidores de uma Jorbi, tecer opiniões sobre o seu comportamento no "terreno", para obter-mos um ideia mais alargada. Estão abertas as "hostes".


Relativamente à JORBI, clicar nas palavras sublinhadas para aceder ao site ou a contactos.

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