domingo, 12 de junho de 2011

Participação da equipa (Caminhos de Fátima)

Ao contrário do que estava previsto, os 280km totais dilataram para os 326km, ou seja, mais 46km, por caminhos rurais, asfaltados, empedrados e outros... 
Percorremos o Caminho de Fátima até Tomar e dali até Abrantes, em 3 etapas: 
São Pedro de Rates / Albergaria-a-Velha, 120km
Albergaria-a-Velha / Ansião, 112km
Ansião / Abrantes, 94km

Alguns dos elementos que formaram o grupo de aventureiros na expedição de 2010 (São Pedro de Rates/Santiago de Compostela), desde logo haviam decidido voltar a realizar uma loucura semelhante em 2011. Entre as propostas apresentadas, ganhou a do Tufo, que propunha realizar mais um troço do Caminho Português de Santiago, desta vez entre Abrantes e S. Pedro de Rates (Póvoa de Varzim), local de onde partiramos em 2010, também em bicicletas BTT.

Dorsal

Após ter-mos (organizadores - Zona 55 Bike Team / Fôjo Zybex BTT Team) tomado conhecimento que o Caminho Português de Santiago e o Caminho de Fátima partilham os mesmos trilhos (em direcções opostas, claro) entre Tomar e S. Pedro de Rates, decidimos em 2011, iniciar o trajecto no mesmo local de 2010, mas partindo em direcção a sul pelos Caminhos de Fátima (marcados com setas azuis) até Tomar, onde a partir daí seguiríamos por trilhos por nós sugeridos até Abrantes, onde viríamos a terminar no espaço onde estava a decorrer as Festas da Cidade.

A aventura deste ano teve os seguintes apoios/colaboradores:
Clube de BTT Zona 55, Fôjo-Zybex BTT Team, O PraticanteRHC Motos/Bikes, grupo BTT Almonda, José Gouveia (Lamego Bike), José Lourenço (motorista carro de apoio), Bombeiros Voluntários de Ansião e ainda muitos outros particulares anónimos.

Em representação da Zona 55, voltaram a estar presentes Jamón (Filipe Rodrigues)... 

... e Tufo (João Valério). A eles juntaram-se Renato Valério, Nuno Ribeiro e Hélder Valério, todos eles da equipa Fôjo-Zybex BTT Team).

DIA 0

A aventura iniciou-se no dia 09 de Junho, tendo nós embarcado no comboio inter-regional com as bikes e respectivos alforges e mochilas, no Entroncamento, fazendo a sua ligação até à estação de Campanhã (Porto), cuja viagem nos ficou (passageiro + bicicleta) em aproximadamente 15,00€/pessoa. Na interface de Campanhã, apanhámos o metro de superfície do Porto e viajámos (novamente acompanhados das bikes) até Póvoa de Varzim, tendo gasto cerca de 3,00€/pessoa, onde ficámos alojados em casa de uma família conhecida de um dos membros do nosso grupo.

Na noite anterior, após ter-mos-nos atirado às francesinhas, fizemos uma caminhada de 02H30 até ao Casino da Póvoa, pela bonita zona marginal da Póvoa de Varzim e Vila do Conde.

DIA 1
São Pedro de Rates » Albergaria-a-Velha

No dia 11, tivemos de nos deslocar 20km do local onde havíamos pernoitado até S. Pedro de Rates, local combinado para a partida oficial, que percorremos de bike, tendo nós logo no 1.º dia contrariado as estatísticas face à previsão dos kms parciais e totais a percorrer. 

O objectivo parecia simples: seguir com atenção as setas azuis até Tomar, extensão que supostamente estaria toda ela marcada, uma vez que é o Caminho de Peregrinação de Fátima, por caminhos mistos, cuja sinalização é similar à dos Caminhos de Santiago, mas em setas pintadas a azul. Mas como não tínhamos informação de que o caminho possuísse marcas em número e qualidade suficiente para as podermos seguir cegamente, levámos connosco 2 GPS com o track previamente gravado, não fosse ser necessário... e ainda bem que o fizemos!

Foto de grupo junto à Igreja de S. Pedro de Rates, local de onde também partimos em 2010. 

Chegámos à zona de partida eram quase 10H00 e não se via vivalma, mas escassos minutos depois... começaram a aparecer outros bêtetistas peregrinos, que pareciam estar a "nascer" ao virar da esquina. Este foi o 1.º grupo (Portugal Dirt Riders) a aparecer ali e aproveitámos logo para tirar uma foto de grupo...

... mas tivemos de nos separar, pois todos os bêtetistas que íamos encontrando tinham como objectivo Santiago de Compostela (sentido norte), enquanto nós seguíamos para sul, a caminho de Fátima.

Nos primeiros 20km que percorremos, cruzámos-nos com dezenas de outros bêtetistas que vinham em sentido contrário, a seguir o Caminho Português de Santiago e era já com normalidade que muitos nos olhavam com admiração e outros nos iam advertindo de que seguíamos na direcção errada. 

O inicio foi agradável e com a moral alta. Fizemos esta etapa de 107km (+ 13km) em autonomia total, uns com mochilas às costas e outros com alforges e bolsas apropriadas para as bikes, de forma a experimentar-mos todas as alternativas possíveis de fazer viagens de bike em autonomia total. Deu para tirar algumas conclusões e brevemente publicaremos aqui no blogue uma reportagem especial baseada nas nossas experiências, onde abordaremos quais as melhores opções à escolha no mercado português para bêtetistas que gostem de aventuras diferentes: suportes, alforges, mochilas, malas, etc.


Como não conhecíamos este Caminho, a expectativa era grande face às paisagens e tipos de terreno que iríamos ter de ultrapassar, tendo como base a experiência de 2010.

Poucos quilómetros após havermos iniciado a jornada, cruzámos-nos com um grupo de amigos da zona de Abrantes, composto por 3 elementos dos Amigos do Pedal ABTTeam acompanhados pelo Miguel Serra (BTT Cabeço das Águias), nosso guia em 2010. Podem ver a crónica da aventura deste grupo no respectivo blogue oficial.

Chegámos ao Porto já passava do meio-dia, após percorrermos a 1.ª Etapa, em que 90% do caminho foi em asfalto. Que decepção! Valeram algumas paisagens no início. Quanto às setas azuis, estavam em menor número que o desejado, mas com alguma atenção é possível fazê-lo sem recorrer ao GPS. A foto foi tirada por um turística francês.

Tufo junto à Torre da Sé.


Dois dedos de conversa com uma dupla de bêtetistas espanhóis veteranos, cujo objectivo passava por percorrer cerca de 2.000km num mês, com saída e chegada em Espanha.


Foi com vista sobre o Rio Douro, junto ao tabuleiro superior da Ponte de D. Luís, que decidimos terminar a 1.ª etapa e almoçar num pequeno restaurante.


O almoço foram umas baguetes, acompanhantes por Carlsberg. Atrás de nós um grupo de turistas ingleses e a linha do metro de superfície no topo da ponte de D. Luís.



Na zona ribeirinha de Vila Nova de Gaia.


Foto com uma turista inglesa, a pedido da própria, pousando junto aos famosos Barcos Rabelos. Sem dúvidas demos nas vistas a passear por Gaia, onde "perdemos" cerca de 60 minutos a ver as vistas.

Voltámos aos trilhos já com algum atraso que tivemos de recuperar impondo um ritmo mais elevado. A 2.ª etapa (Porto / Albergaria-a-Velha) foi uma enorme decepção: setas azuis quase inexistentes e muito, muito asfalto sob um sol intenso.


Eis a única zona em que nos vimos livres do asfalto, mas a calçada romana, ainda para mais a descer, também não ajudava à progressão, pois o cuidado era imperativo face às cargas que transportávamos. Um pouco mais à frente o Hélder Valério teve um furo, a única contrariedade mecânica até então.

Em Oliveira do Bairro tivemos o ponto alto da 2.ª etapa do primeiro dia. O caminho "obrigava-nos" a passar mesmo pelo meio da Feira à Moda Antiga que decorria neste fim-de-semana.



Como a fome apertava, aproveitámos para comprar uns pãezinhos com chouriço a 0,50€/unid. numa das muitas barraquinhas e por entre ruelas cheias de visitantes e grupos de tocadores, encontrámos e abancámos numa taberna à moda antiga para emborcar umas imperiais servidas em tijelas.

Com pouca vontade lá voltámos aos trilhos, pois o relógio não esperava e tínhamos de chegar a Albergaria-a-Velha ainda antes de escurecer, onde o Zé Lourenço e a Tiz nos esperavam com a carrinha de apoio.



A nossa logística tinha previsto a chegada a Albergaria por volta das 18H/19H00, onde havíamos previsto pernoitar com as nossas tendas num local onde é normal o campismo selvagem, ali a escassos quilómetros em Sernada do Vouga, com o Rio Vouga por companhia.

Após mais uns quilómetros sem grandes histórias para contar, em que a sinalização do percurso foi quase inexistente, foi já quase noite que chegámos ao centro de Albergaria-a-Velha, onde nos encontrámos com o nosso carro de apoio. Dada a adiantada hora, foi no Largo da Câmara que felizmente encontrámos um restaurante onde jantámos e carregamos as baterias. Ali carregámos as burras para a carrinha e deslocámos-nos para Sernada do Vouga, onde montámos as nossas tendas e adormecemos rapidamente após uma tirada de 120km carregados de material.

DIA 2
Albergaria-a-Velha » Ansião
Amanhecemos em Sernada do Vouga pelas 08H00 com um sol radiante. O concelho havia-nos sido dado pelos amigos do grupo Albergas BTT.


Alguns de nós lavaram a dentuça e tomaram um banho matinal no Rio Vouga, cuja água estava um espectáculo. Tínhamos hoje pela frente 112km até Ansião e ainda tínhamos de retomar o trilho a cerca de 12km de onde nos encontrávamos e também tomar o pequeno-almoço.

Tufo e Jámon junto à carrinha de apoio.

Após tomarmos o pequeno-almoço, retomámos o Caminho no local onde termináramos no dia anterior.

Após os primeiros quilómetros, começam a surgir bonitas paisagens. A manhã da 3.ª etapa e 2.º dia, decorreu sem sobressaltos e ao contrário do que esperávamos, este troço estava bem marcado.


Chegámos rapidamente a Águeda, capital da bicicleta, onde aproveitámos para tirar uma foto junto a estes depósitos coloridos e misteriosos. Terão servido para armazenar vinho?

Mais à frente, o trilho levou-nos a passar mesmo pelo meio da Feira do Meio Rural, onde estavam expostos diversas raças de animais não muito comuns em Portugal, como a Capivara, a Lama e a Cabra anã, como também algumas variedades de produtos hortículas e ferramentas afectas aos trabalhos rurais.


O sol já ia alto, mas esta 3.ª etapa revelou-se bastante rápida devido aos trilhos e sinalização aceitável, o que tornou os cerca de 50km tarefa rápida e sem contra-tempos.

A Mealhada foi a localidade escolhida para o almoço, onde como não podia deixar de ser, comemos leitão, à excepção do Jamón, que preferiu peixe cozido com legumes... mas porque não gosta de leitão.

Após o almoço fizemos-nos à estrada para a 4.ª etapa, tendo como objectivo Ansião, onde nos voltaríamos a encontrar com o carro de apoio para pernoitar no Quartel dos Bombeiros Voluntários de Ansião.



Chegados a Coimbra em ritmo alucinante, fomos até uma esplanada para nos refrescarmos... por dentro. Pela frente esperava-nos uma subida interminável até sairmos da cidade.

A escassos 25km de Ansião, deparámos-nos com os melhores trilhos da jornada. O Hélder voltou a furar e o Renato perdeu o fixador de um dos calços de travão traseiro e de seguida partiu a corrente, pelo meio umas quedas e no meio disto tudo perdemos cerca de 40 minutos, o que nos atrasou consideravelmente. O sol já estava quase a desaparecer quando chegámos em grande velocidade ao quartel dos Bombeiros Voluntários de Ansião, que generosamente no deram abrigo. O jantar foram uns grelhados comprados no take away mesmo ali ao lado, após tomarmos um refrescante banho e nos apercebermos dos enormes bronzes (escaldões) que havíamos ganho neste 2.º dia.

DIA 03
Ansião » Abrantes

Após entregar-mos um pequeno donativo aos nossos anfitriões, o Chefe de Serviço mandou formar todos os elementos para tirarmos uma foto a marcar o momento. De seguida fomos até ao supermercado mais próximo, onde tomámos o pequeno-almoço e nos despedimos do carro de apoio até final. Esperavam-nos 94km.


A distância menor dos 3 dias não nos trazia facilidades. Logo no início, tivemos problemas em encontrar o trilho, pois as sinalizações eram quase inexistentes e o GPS do Nuno detectou um bug e apagou. O GPS do Tufo estava a funcionar a meio gás e sem conseguirmos que fizesse o acompanhamento da rota, foi arrastando manualmente o ponteiro que após 10km conseguimos finalmente entrar no Caminho. A partir daí muito asfalto e subidas até mais não. Os 94km da 3.ª etapa foram os que apresentaram o maior nível de acumulado de subida.

Finalmente atingimos Alvaiázere e sem que nada o fizesse prever demos de caras com o Manuel, pai da cunhada do Tufo, que nos convidou a petiscar na sua casa de fim-de-semana, onde fomos recebidos pela restante família. Depois da barriguinha cheia, o Tufo despediu-se dos cunhados e restante família e tornámos aos trilhos para fazer os últimos 60km.

No 3.º dia não houve paragem para almoço, optámos por parar mais vezes e em cafés, onde fomos bebendo e comendo em menores quantidades, pois o termómetro marcava 34º e era necessário maior reposição de líquidos. Até Tomar, o Caminho de Fátima continuou muito mal sinalizado a maior parte do percurso. Junto ao Regimento de Infantaria 15, tomámos a direcção de Abrantes, rodeando a Barragem do Carril.


À nossa chegada ao recinto das Festas da Cidade em Abrantes, esperava-nos um enorme grupo composto por familiares e amigos, que efusivamente nos aplaudiram. Chegara ao fim a Aventura 2011.

Em jeito de resumo apresentamos o balanço final:
Distância Total Percorrida = 326km
Total Acumulado de Subidas = 4.300 mts.
Tempo Total a Pedalar = 19H00
Velocidade Máxima Atingida = 78km/h
Média = 16,5 km/h

Sinalização: Para os interessados em fazer o Caminho de Fátima, aconselhamos o uso de GPS, pois a sinalização é extremamente deficitária. 
Paisagem e Trilho: A nível de paisagem, os trilhos, aproximadamente 85% em asfaltado, não oferecem muitas passagens por zonas que nos deslumbrem.

Textos: João Valério | Fotos: João Valério e Renato Valério 

BREVEMENTE PUBLICAREMOS AQUI O VÍDEO DA VIAGEM

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